Eu fiquei quietinha, só ouvindo comentários e deixando o povo falar. Bope pra lá, Bope pra cá, blá, blá, blá. Tb sucumbi ao piratão do Tropa de Elite, admito, mas por um minuto achei que o que assisti não foi exatamente o que quem começou o papo viu.
Que a polícia tá cheia de gente corrupta não é novidade. Assim como tem cidadão desonesto trabalhando em bancos, padarias, shopping centers e, pior, canetando no Judiciário. Mas o que me deixou intrigada é como, de uma hora pra outra, o Bope virou assunto pra tudo quanto é rodinha. E, apesar de compreensível, me perturba como esses caras de farda viraram uma espécie de heróis pra muita gente. Algo como a última ponta de esperança, diante da notória inércia e incompetência do poder público.
Tirando como exemplo o que ouvi no trabalho (de uma maneira geral de pessoas esclarecidas), me pareceu que tem gente que não achou nada anormal no treinamento desses homens e nos métodos usados pra conseguir informações, confissões ou seja lá o que for. O foco dos comentários não foi este. Forçaram uma barra pra me fazer enxergar quem era quem, mocinhos e bandidos. Desceu goela abaixo, sem nenhum convencimento.
Ok, falo isso porque, até agora, assisti a tudo à distância, nunca subi morro, nem me deparei com um fuzil apontado pra cabeça. Essa guerra civil carioca me cerceia, me faz ter medo de parar num sinal de trânsito, andar de ônibus, ter o preconceito de desconfiar de gente mal encarada e estar sempre alerta. E só. Não que isso seja pouco, é coisa pra cacete, mas pra quem mora no olho do furacão o buraco é muito mais embaixo.
Posso mesmo estar longe dessa realidade, mas minha utopia particular ainda diz que tá tudo errado. O sistema todo tá errado. O jeito das pessoas contando como o tal Matias detonou os miolos do traficantezinho me deixou perturbada. Menos com a violência da cena e muito mais com os olhos brilhantes e o sorrizinho de satisfação.
Enfim, definitivamente os valores estão distorcidos. Inclusive na mente de quem vê tudo isso e me vem com o primeiro comentário:
"Cara, e o Wagner Moura, heim... Uau."